Promovida pela Incubadora Tecnológica e pelo Laboratório de Cidadania Digital do IFSC-Florianópolis, a maratona de 28 dias levou estudantes de seis estados a enfrentar 19 desafios de órgãos públicos e empresas. Ovitrap, Górgona e MedCare formaram o pódio

Chegou ao fim, no último sábado (25 de julho), no auditório do IFSC-Florianópolis, a 1ª Jornada Incubintech de Inovação Aberta — um hackathon de software e hardware de 28 dias que colocou estudantes e profissionais frente a frente com problemas reais de instituições públicas e privadas. Promovida pela Incubadora Tecnológica do IFSC-Florianópolis (Incubintech) em articulação com o Laboratório de Cidadania Digital (LabCidig), Sebrae Startups e as comunidades de tecnologia Tech Floripa e Python Floripa, a iniciativa encerrou com os pitches das equipes finalistas diante de uma banca de jurados.
Tudo começou em 27 de junho, quando os demandantes — representantes das instituições parceiras — apresentaram 19 desafios técnicos, de empresas privadas e da governança pública, a uma plateia de 512 potenciais competidores, com participantes de seis estados (SC, PR, RS, SP, RJ e RN). Formadas as equipes de até cinco integrantes, 72 times largaram na primeira etapa.
Semana a semana, as equipes fizeram entregas técnicas e contaram com uma plataforma exclusiva para solicitar materiais, agendar mentorias e usar os laboratórios do IFSC, além de workshops, treinamentos e networking — com os próprios demandantes disponíveis para reuniões, visitas técnicas e testes. No terceiro checkpoint, a pré-final, restaram 27 equipes. Como todas as finalistas já cumpriam os requisitos técnicos, a definição do pódio veio, sobretudo, da qualidade das apresentações no palco.
As três melhores
O primeiro lugar ficou com a Ovitrap e sua “Vigilância Entomológica Inteligente”, que usa visão computacional para automatizar a contagem de ovos em ovitrampas e georreferenciar focos do Aedes aegypti — desafio da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SUV-SC). Em segundo, a Górgona apresentou o “Expressa”, que transforma uma TV Box em dispositivo de comunicação alternativa para alunos não verbais. Em terceiro, a MedCare levou um ecossistema digital para a prevenção do burnout médico, desafio da Associação Catarinense de Medicina (ACM).
Um desafio do LabCidig, soluções de impacto
Entre os 19 desafios, o de reaproveitamento seguro de TV Box — proposto pelo LabCidig em parceria com a Receita Federal do Brasil — foi um dos que mais renderam. Em vez de simplesmente destruir os equipamentos apreendidos, a proposta era ressignificá-los. Da mesma demanda nasceram soluções bem distintas: além do “Expressa”, da Górgona, o projeto Chama Lilás — segundo colocado no desafio — reprogramou uma TV Box para transformá-la em um botão de alerta contra a violência de gênero, pensado para banheiros de bares e restaurantes, sob o mote “acenda o alerta, chame por ajuda”.
O que acontece agora
As três equipes vencedoras já garantiram prêmios como PlayStation 5, celulares e patinetes elétricos. A principal conquista, porém, está no futuro: os campeões passam a integrar a Incubintech e, em parceria com os demandantes, seguirão no próximo semestre aperfeiçoando suas tecnologias, ganhando escala e buscando mercado.
Confira a classificação das equipes finalistas aqui.
Uma metodologia que não para
A lógica de conectar problemas reais às soluções dos estudantes é constante ao longo do ano na Incubintech e no LabCidig. Foi assim que nasceu a QR-PIX-GO, startup de máquinas de venda automática (vending machines) que nacionalizou uma tecnologia até então majoritariamente importada. Incubado há menos de um ano, o estudante de Engenharia Mecatrônica Jardel Carlos Godinho já tem um produto validado: suas máquinas operam no projeto social Dignidade Menstrual, do IFSC.
“Nossas máquinas têm sistema operacional próprio e integração PIX nativa, e oferecem aos empresários soluções para vendas automatizadas de produtos, desde higiene pessoal até medicamentos e bebidas”, conta o empreendedor Jardel Godinho.
A ideia de colocar a tecnologia a serviço da comunidade que menstrua partiu da coordenação do LabCidig. Segundo o professor André Dala Possa, coordenador da Incubintech e do laboratório, o ambiente de alta demanda foi decisivo para validar a solução.
“Sempre que possível, buscamos integrar as tecnologias desenvolvidas aqui para sanar dores sociais. Hoje, uma única máquina atende semanalmente centenas de pessoas que menstruam, e esses dados são potenciais para outras ações de saúde pública”, avalia André Dala Possa.
Sobre o LabCidig
O Laboratório de Cidadania Digital (LabCidig) do IFSC-Florianópolis, coordenado pelo Prof. Dr. André Dala Possa, atua em ensino, pesquisa e extensão em cultura digital. Entre seus projetos está “Likes que engajam, laços que protegem”, de abordagem preventiva em rede para a cidadania digital no enfrentamento ao tráfico de pessoas, com fomento do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e execução em parceria com a FEESC.
